O que te causa vergonha?
De não ter passado naquela prova tão esperada?
Por não saber falar outra língua?
Diante daquela pessoa que quer impressionar ou não decepcionar?
Vergonha do seu corpo? De alguma deficiência? Da sua família?
Nos envergonhamos daquilo que não conseguimos alterar no momento!
Podemos realmente ter vergonha do nosso corpo, da origem social, por alguma capacidade falha ou incompetência, seja por termos sido reprovado em uma prova, por não saber cozinhar, dançar, andar de bicicleta, ou por nossa insuficiência como pessoa, pelo nosso fracasso.
A vergonha pode ter diversas causas, mas para cada pessoa terá um sentido singular, a partir da sua historicidade.
Quando temos vergonha tentamos ao máximo fugir das situações em conflito. Evitamos lugares e pessoas, e pretendemos nos esconder do olhar do outro.
E sem sucesso de se sentir invisível também fugimos de si mesmo, daquilo que realmente somos, para se encaixar nas supostas expectativas dos outros
E de quem nos envergonhamos?
Não nos envergonhamos de todos e tudo, mas geralmente daquelas pessoas que tem alguma importância em nossa vida, seja uma autoridade, ou até mesmo de alguém que possa utilizar do nosso ato contra nós em um momento de fraqueza.
A vergonha está ligada ao temor!
Tememos o olhar e o julgamento dos outros, podemos ter medo de ser ridicularizados, rejeitados e até mesmo excluídos por não sermos capazes o suficiente para os outros, e para sociedade.
Temos dificuldade em lidar com a vergonha, pois ela traz à tona a nossa fraqueza e impotência diante daquilo que não podemos controlar ou mudar.
Como diz Sartre “Eu me envergonho do modo como apareço para os outros” (SN, p. 406).
Então o mais fácil seria não aparecer e não se relacionar com os outros, certo?
Porém estamos expostos ao mundo e aos outros, mesmo que isso fuja do nosso desejo.
O fato é como encaramos e lidamos com aquilo que nos causa a vergonha.
As vivências da vergonha vêm carregada de uma falta e do peso do que e como deveríamos agir a partir das expectativas dos outros e do mundo, ou até mesmo quando agimos diferente daquilo que desejamos mostrar ou ser, tendo uma sensação negativa de exposição.
O sofrimento na vergonha se faz ainda mais presente quando tentamos mascarar quem somos, agindo de maneira contrária ao seu próprio ser, não aceitando as falhas e dificuldades de cada ser humano, essas que fazem parte da nossa existência.
Referência bibliográfica
Sartre, Jean-Paul: O ser e o nada. Tentativa de uma ontologia fenomenológica, hg. von Traugott Konig, Reinbek bei Hamburg (Rowohlt) 1993.


